Pallade Veneta - Houthis do Iêmen atacam novamente o aeroporto de Riade

Houthis do Iêmen atacam novamente o aeroporto de Riade


Houthis do Iêmen atacam novamente o aeroporto de Riade
Houthis do Iêmen atacam novamente o aeroporto de Riade / foto: - - AFP

O aeroporto de Riade foi atingido novamente neste domingo (11), um dia depois de outro ataque reivindicado pelos houthis do Iêmen deixar 12 mortos e mais de 300 feridos, no episódio mais letal ocorrido na Arábia Saudita em dez anos.

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A intensidade dos recentes ataques contra Riade é inédita desde que o reino passou a apoiar, em 2015, as forças governamentais do Iêmen, que haviam entrado em guerra um ano antes contra os houthis alinhados ao Irã.

Para apoiar o governo iemenita reconhecido pela comunidade internacional, Riade assumiu a liderança de uma coalizão internacional.

O porta-voz dessa coalizão, general Turki Al Malki, informou no domingo à tarde que houve um “ataque com um projétil não identificado” contra um terminal do Aeroporto Internacional Rei Khalid, onde foi registrado um incêndio.

Além disso, ele declarou que um “míssil de cruzeiro foi interceptado nas proximidades do aeroporto”.

“Os pássaros ficaram enlouquecidos com o barulho. A casa inteira tremeu”, relatou à AFP um morador do bairro de Al Aarid, no norte de Riade.

Por sua vez, o porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, afirmou que, nas últimas 24 horas, suas forças atacaram diversas vezes o aeroporto e instalações energéticas do reino.

Anteriormente, os houthis haviam voltado a alertar passageiros, funcionários e companhias aéreas para que não utilizassem o espaço aéreo saudita nem os aeroportos do país, com exceção dos das cidades sagradas de Meca e Medina.

- "Crime de guerra" -

Antes dessa reivindicação, a coalizão liderada por Riade já havia acusado o grupo pró-Irã pelo ataque e prometido responder “com firmeza”, classificando a ação de sábado como um “crime de guerra”.

Esses ataques se somam a outros realizados na quarta e na quinta-feira, também contra o aeroporto de Riade, que deixaram seis mortos ao todo.

O ataque de sábado foi o mais letal no reino desde agosto de 2015, quando um atentado suicida do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) deixou 15 mortos.

As condenações internacionais se multiplicaram, partindo da ONU, de Israel, da Rússia, da União Europeia, do Iraque e do Paquistão, entre outros.

“É inaceitável”, declarou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acrescentando que examinará a possibilidade de as forças americanas participarem das operações militares contra os houthis.

- "Cobertos de sangue" -

As autoridades sauditas contabilizaram 12 mortos e 309 feridos no ataque de sábado, mas o número de vítimas pode ser maior, disse à AFP um diplomata ocidental radicado em Riade.

Um morador da cidade de 32 anos, que pediu anonimato, contou à AFP que, no momento do ataque, ouviu “um estrondo muito forte” no aeroporto e que as pessoas “começaram a correr”.

“Alguns estavam com o rosto coberto de sangue”, enquanto outros “haviam perdido uma mão ou um braço” ou corriam “carregando feridos, cobertos de sangue”, relatou.

As autoridades decidiram manter o aeroporto fechado neste domingo, confirmaram à AFP duas fontes do setor aéreo.

Diversas embaixadas estrangeiras recomendaram a seus funcionários evitar o aeroporto durante uma semana, afirmou um diplomata ocidental à AFP.

O reino se prepara para sediar neste mês vários eventos, entre eles a conferência anual de investimentos, que atrai líderes estrangeiros e importantes empresários.

Diversas empresas do centro financeiro de Riade adotaram o regime de teletrabalho neste domingo, segundo funcionários, e as escolas da capital darão aulas a distância durante uma semana.

Os ataques contra o aeroporto não são por acaso, avalia Andreas Krieg, da consultoria de riscos MENA Analytica.

Essa infraestrutura “tem enorme importância” para o projeto do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman de transformar Riade em um centro para turistas, multinacionais e eventos internacionais. “Os houthis entendem isso”, disse Krieg.

- Bombardeios em Sanaa -

No Iêmen, as hostilidades continuam após a ofensiva relâmpago lançada em setembro pelos houthis, que assumiram o controle do estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho.

Nesta semana, as forças governamentais iniciaram uma contraofensiva com apoio de Riade. Os houthis informaram neste domingo que dois bombardeios sauditas atingiram uma área da capital, Sanaa, controlada pelo grupo pró-Irã.

Fontes militares ligadas ao governo disseram à AFP no sábado que as forças iemenitas avançaram nas proximidades do estreito, embora um alto dirigente houthi tenha afirmado que o grupo continua controlando a ilha de Perim, no centro dessas águas.

A rota marítima, que conecta a Ásia à Europa, ganhou ainda mais importância desde que Teerã passou a restringir a navegação no Estreito de Ormuz, do outro lado da península arábica.

B.Fortunato--PV