Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam em debate a uma semana do 2º turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se enfrentam, neste domingo (18), em seu primeiro debate, em um dia marcado por mobilizações de ambos os lados no país e a uma semana de um segundo turno que se prevê acirrado.
Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, se impôs no primeiro turno em 4 de outubro com 47% dos votos, contra 45% de Lula. As pesquisas previam uma vantagem para o presidente.
O debate, que ocorrerá na noite de domingo nos estúdios da TV Band, em São Paulo, é aguardado como um momento-chave da campanha, após a recusa de Lula em encontrar-se com seu rival antes do primeiro turno.
Vestidos com as cores verde e amarela da bandeira brasileira, milhares de apoiadores de Flávio Bolsonaro reuniram-se horas antes do debate para um ato de campanha na Avenida Paulista, em São Paulo.
Os presentes pediam a volta de Bolsonaro, uma mensagem dirigida ao ex-presidente, que cumpre uma pena de 27 anos em prisão domiciliar por conspirar para dar um golpe de Estado após as eleições de 2022.
"O país está em estado de calamidade. O nosso poder de compra está baixíssimo. Para a gente poder fechar o mês, comprar algo, tem que trabalhar em 2 ou em 3 empregos", disse Sara Machado, de 36 anos, uma das 70.000 pessoas presentes no ato, segundo a Universidade de São Paulo.
"Eu acredito na mudança, num país melhor, com o Flávio Bolsonaro, porque a gente já experimentou por 20 anos um governo de corrupção... Quero experimentar alguma coisa nova", afirmou Renan Pinhata, um bancário de 35 anos.
Pesquisas dos institutos Datafolha e Quaest, publicadas esta semana, apontam 51% das intenções de voto para o senador, contra 49% para o presidente. Uma semana antes, o Datafolha indicava uma vantagem maior (52% a 48%).
No Rio de Janeiro, banhistas na Praia Vermelha entraram na água e formaram o nome de Lula. Mais tarde, está previsto um "ato pela democracia" na Praia de Copacabana, convocado pelo músico Caetano Veloso.
Essas manifestações somam-se a uma onda de protestos nas grandes cidades brasileiras, protagonizados por uma esquerda que se mostrava apática antes do primeiro turno.
Com o protagonismo de estudantes e movimentos sociais, esses atos expressam, sobretudo, a rejeição a um novo governo de extrema direita, com palavras de ordem como "Bolsonaro nunca mais".
No entorno de Lula, há um clima de "esperança contida", embora cientes de que se trata de uma batalha muito difícil, afirmou uma fonte do governo na sexta-feira.
- Denúncia contra a Meta -
Lula, com quase 81 anos e em busca de um quarto mandato, admitiu que sua campanha no primeiro turno foi a mais "desorganizada".
Reforçou sua estratégia nas redes sociais com a ajuda de jovens e acusou a gigante Meta de "interferência" nas eleições por restringir seus conteúdos no Instagram e no WhatsApp.
Sua campanha informou, no sábado, ter solicitado às autoridades que investiguem se a campanha de Bolsonaro recebeu benefícios econômicos da Meta, uma acusação também encaminhada ao relator especial da ONU sobre a liberdade de expressão.
A empresa americana negou ter tomado partido no pleito e, embora tenha apagado anúncios da campanha de Lula, alegou que se tratou de "incidentes" técnicos. .
Na quarta-feira, o Congresso aprovou o fim da escala 6x1, uma emenda constitucional que garante dois dias de descanso remunerado por semana, em vez de um — uma bandeira de sua campanha que beneficiará milhões de trabalhadores.
Flávio Bolsonaro, que havia se manifestado contra, acabou votando a favor.
Votou por "oportunismo eleitoral", disparou Lula, que chegou a dizer sobre seu rival que ele não serve nem para ser "síndico de prédio".
O presidente anunciou, ainda, o perdão de dívidas para microempreendedores, bolsas universitárias e a eliminação de impostos sobre combustíveis.
- "Não viram nada ainda" -
Lula "engana as pessoas para conseguir votos, eu não, eu trabalho com a verdade", disse Flávio Bolsonaro, que reforçou seu discurso de "mão dura" contra a criminalidade, a principal preocupação dos brasileiros.
"Aqueles que acham que eu sou radical na segurança pública não viram nada ainda", disse ele esta semana, antes de afirmar que o modelo de El Salvador, que promoveu o encarceramento em massa de membros de gangues, lhe parece "pouco".
O senador, de 45 anos, promete libertar seu pai, embora tenha ressaltado que reservar um cargo para ele em um eventual governo "não está no radar".
L.Guglielmino--PV