Pallade Veneta - Autoridades francesas buscam proibir ou restringir novos protestos

Autoridades francesas buscam proibir ou restringir novos protestos


Autoridades francesas buscam proibir ou restringir novos protestos
Autoridades francesas buscam proibir ou restringir novos protestos / foto: Teresa Suarez - POOL/AFP

Autoridades francesas decretaram nesta quinta-feira (22) proibições ou restrições a novos protestos que surgem após as grandes manifestações do último fim de semana, que resultaram na pior onda de violência registrada no país em vários anos.

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O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que deseja "um retorno à calma", dois dias antes de novos protestos, e acusou grupos de extrema esquerda de tentar "derrubar a República" durante a onda recente de violência, a seis meses das eleições presidenciais.

"A recomendação geral é que não haja manifestações nos próximos dias", afirmou o chefe de Estado, após uma reunião do conselho de segurança.

Várias cidades francesas foram palco de confrontos e saques quando jovens tomaram as ruas em 17 de outubro, durante protestos contra o alto custo de vida. Pelo menos 3.000 estabelecimentos comerciais foram vandalizados no país. As cenas de saques e de prédios públicos em chamas correram o mundo.

"Tivemos, ao mesmo tempo, atos políticos e até mesmo sediciosos, realizados por grupos organizados da extrema esquerda cujo objetivo é derrubar a República", afirmou Macron após uma reunião no Palácio do Eliseu com os serviços de inteligência, acusados de não preverem a magnitude da manifestação de sábado.

Após os atos violentos, autoridades determinaram toque de recolher por três noites em áreas de várias cidades, como Paris e Lyon, a terceira maior do país. Nesta quinta-feira, a Prefeitura de Polícia de Paris decretou a prorrogação dessa medida em alguns bairros da capital até segunda-feira.

A revolta abalou o governo a poucos meses das eleições presidenciais de abril e maio, nas quais Macron não pode concorrer e a ultradireitista Marine Le Pen aparece como favorita, segundo as pesquisas.

Em Paris, centenas de pessoas participaram nesta quinta-feira de uma manifestação estudantil cuja proibição pela polícia foi anulada no último momento por um juiz. A Presidência anunciou que Macron receberá representantes de organizações de estudantes do ensino médio nesta sexta-feira.

Os organizadores das manifestações, o movimento dos coletes amarelos e os sindicatos, preveem mais protestos em nível nacional para sábado, além de uma greve geral e manifestações em 5 de novembro.

- 'Governo deve dar respostas' -

Neste fim de semana, o governo mobilizará veículos blindados e unidades de elite da polícia e da gendarmaria. Também será acionada a missão Sentinelle, composta por militares.

Em Paris, autoridades autorizaram apenas uma manifestação com trajeto delimitado entre a Praça da Bastilha e a Praça da Nação, enquanto autoridades de Lyon, Marselha, Rouen e Toulon proibiram os protestos de sábado, uma decisão considerada uma restrição às liberdades pela oposição.

Uma parte da oposição também critica o Executivo por uma repressão brutal, enquanto a direita vê, pelo contrário, uma falta de firmeza.

O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, informou nesta quinta-feira que 217 das 2.700 pessoas detidas no último fim de semana e desde então foram presas, enquanto outras 1.000 estão sendo processadas.

Neste contexto de tensão, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu recebeu os partidos na tarde desta quinta-feira. O coordenador nacional do França Insubmissa (LFI), Manuel Bompard, afirmou que a reunião "fez o país perder" tempo, já que o primeiro-ministro, "em nenhum momento, entrou no debate concreto sobre as reivindicações" dos jovens e "o mal-estar social".

Pelo Partido Comunista, Fabien Roussel afirmou que "o governo deve dar respostas e abordar as causas dessas manifestações, não os sintomas", enquanto o candidato social-democrata Raphaël Glucksmann declarou que, se o Executivo "acredita que, ao não responder às reivindicações da juventude francesa, o movimento perderá força, está enganado".

A maioria dos partidos enviou seus dirigentes, mas o Reagrupação Nacional (RN), partido de extrema direita de Marine Le Pen, foi representado por um integrante de escalão inferior.

- Louvre, Orsay e Picasso fecharão no sábado -

Diante dessa situação, os museus parisienses do Louvre, Orsay e Picasso permanecerão excepcionalmente fechados no próximo sábado, e os organizadores da feira de arte contemporânea Art Basel Paris decidiram, por precaução, encerrar o evento nesta sexta-feira, dois dias antes do previsto.

Após os saques, os comerciantes temem o sábado. "A preocupação é máxima", declarou à AFP Pierre Bosche, presidente da Confederação de Comerciantes da França. Muitos comerciantes da capital estão protegendo as vitrines de seus estabelecimentos com painéis de compensado.

Emmanuel Rénales, 60 anos, é dono de uma loja de tintas localizada em uma área central de Paris onde ocorreram saques no último fim de semana. Desde segunda-feira, ele dorme em sua loja. "Eu ficaria surpreso se abríssemos no próximo sábado", disse à AFP.

F.Amato--PV