Pallade Veneta - Presidente do Irã afirma a Trump que seu país não se 'ajoelhará'

Presidente do Irã afirma a Trump que seu país não se 'ajoelhará'


Presidente do Irã afirma a Trump que seu país não se 'ajoelhará'
Presidente do Irã afirma a Trump que seu país não se 'ajoelhará' / foto: TIMOTHY A. CLARY - AFP

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, adotou um tom desafiador nesta quarta-feira (23) na ONU, onde falou pela primeira vez desde que Washington e Israel lançaram uma guerra contra seu país. Ele afirmou aos Estados Unidos que seu país não se "ajoelhará".

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Pezeshkian também acusou Washington de "terrorismo", pelo assassinato do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, em fevereiro.

Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, declarou no mesmo púlpito que avaliava a opção de "aniquilar" o Irã, mas elogiou em seguida a retomada dos diálogos entre Teerã e Washington.

Pezeshkian não mencionou as reuniões paralelas à Assembleia Geral da ONU para encerrar o conflito. "Trump deve saber que a resiliência do povo iraniano só aumentará diante das sanções, da crescente pressão e da intimidação cada vez maior. Nunca baixaremos a cabeça ou nos ajoelharemos", declarou.

Pezeshkian também afirmou que seu governo não permitirá que o Estreito de Ormuz seja usado para realizar agressões contra seu país.

"Não podemos permitir que alguns tenham livre acesso e defendam seus interesses através desta via de navegação, enquanto que, ao mesmo tempo, usam essa via para nos impor sua agressão", disse o presidente iraniano.

A presença de Pezeshkian na reunião de cúpula diplomática da ONU, em Nova York, era incerta, pois não estava claro se os Estados Unidos lhe concederiam o visto.

Os altos preços dos combustíveis ameaçam o controle republicano do Congresso americano nas eleições de meio de mandato de novembro. O presidente Trump tem procurado minimizar o impacto interno da guerra que iniciou no final de fevereiro.

- Milei critica ONU -

O presidente argentino, Javier Milei, também discursou nesta quarta-feira na Assembleia Geral. Crítico do multilateralismo, ele afirmou que a ONU "se tornou uma organização inútil, que só serve para alimentar uma casta de parasitas fatalmente arrogantes, disfarçados de burocratas bem-intencionados", declarou Milei em seu discurso.

"Aqueles que deveriam garantir a segurança coletiva e os direitos humanos fracassaram em sua tarefa e, em seu lugar, permitiram o caos, a violência e o terrorismo internacional", prosseguiu Milei.

O líder de direita também criticou a inação da organização multilateral na disputa com o Reino Unido sobre as Ilhas Malvinas, classificou a gestão da pandemia de 2020 como "genocídio" e se opôs ao controle estatal da inteligência artificial (IA).

- IA e Ucrânia -

A IA e seus riscos para a segurança global foram outro tema de destaque hoje. Diretores de empresas de IA enfatizaram a necessidade de maior supervisão dessa tecnologia.

Líderes do setor se reportaram ao Conselho de Segurança da ONU, após semanas de manchetes globais sobre os riscos de uma IA incontrolável e apelos para conter sua evolução.

 

Entre os conflitos mundiais, a guerra entre Rússia e Ucrânia também foi discutida. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, denunciou ao Conselho de Segurança que a Rússia recrutou soldados de 47 países.

"Putin está sempre procurando alguém que o ajude a matar mais, a matar mais pessoas a cada quilômetro de território, a conquistar mais território e se apoderar de outro país, em vez de simplesmente parar e governar o seu próprio país", disse Zelensky.

Após se reunir ontem com Trump, o presidente ucraniano afirmou que Washington e Kiev desejam o fim da guerra com a Rússia em poucos meses, e acrescentou que está preparado para suspender os ataques às instalações energéticas russas caso Moscou concorde em fazer o mesmo.

Y.Destro--PV