Onda de calor avança na Europa
Roma se juntou nesta terça-feira (23) às cidades europeias em alerta vermelho por calor extremo, como Paris já está há dias, enquanto o Reino Unido se prepara para bater o recorde de temperatura em um mês de junho.
Trata-se da segunda onda de calor para milhões de europeus em menos de um mês. Segundo o consenso científico, a mudança climática provocada pela atividade humana torna mais intensos os fenômenos meteorológicos extremos.
Suas consequências são múltiplas: mortes por calor e por afogamento, maior vigilância em hospitais e casas de repouso; trens, aulas e eventos ao ar livre suspensos, uma usina nuclear paralisada...
O novo episódio, mais duradouro que o de maio e que pode se prolongar até o fim de semana, lembra a onda de calor de agosto de 2003, que marcou a Europa com mais de 70.000 mortos durante suas duas semanas de duração.
- Série de recordes -
Com 29,2ºC, a França bateu na segunda-feira seu recorde de temperatura média para um mês de junho e, na madrugada de terça, o recorde absoluto da noite mais quente, com 21,6ºC de média, segundo o serviço meteorológico Météo France.
Mas outros recordes podem ser batidos. Com picos previstos de até 44ºC no sudoeste da França, 90% dos habitantes vivem em áreas onde as autoridades decretaram nesta terça-feira alerta vermelho ou alerta laranja por calor extremo.
Uma parte do sul do Reino Unido também se encontra em alerta vermelho e o recorde histórico de 35,6ºC para um mês de junho, registrado pela última vez em Southampton em 1976, pode até ser superado, segundo o órgão britânico Met Office.
Quase toda a Espanha, onde as ondas de calor vêm se multiplicando e se intensificando há vários anos, também está em alerta por onda de calor, especialmente áreas da Andaluzia, do País Basco e da Cantábria.
A Itália declarou nesta terça-feira o nível máximo de alerta por calor em 15 cidades, entre elas Roma e Milão, e advertiu que o número aumentará para 16 na quarta-feira.
- Afogamentos -
A onda de calor já deixou mortos na França. Dois irmãos de 2 e 4 anos foram encontrados sem vida na segunda-feira dentro do carro da família em Carpentras, e três idosos morreram em suas casas no sudoeste do país.
Além disso, quase 40 pessoas morreram afogadas desde 18 de junho, "principalmente jovens", indicou o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, que lamentou uma "triste chaga" no início de uma nova reunião de crise.
Rios, piscinas, canais, lagos: os europeus procuram lugares com água para se refrescar. Em Bruxelas, muitos optaram por uma fonte no Parque do Cinquentenário, perto das instituições da União Europeia.
"E se, no futuro, tivermos que viver esse tipo de situação dia após dia?", refletiu Blanka Holmes, uma jovem de 25 anos, para quem se aproxima "um ponto de virada que provavelmente vai mudar as coisas".
- Pessoas vulneráveis -
Autoridades recomendam que pessoas vulneráveis, como crianças, gestantes, doentes crônicos e idosos, redobrem a vigilância. E à população em geral, que se hidrate, vista roupas leves e limite os deslocamentos.
Embora Barcelona não esteja, por enquanto, nas zonas com temperaturas mais extremas, José Farré, de 76 anos, aproveitou o fato de fazer menos calor nas primeiras horas da manhã para fazer compras e voltar rápido para casa, com ar-condicionado.
"Sou cardiopata, sou diabético e sinto muito isso", lamentou sobre o aumento das temperaturas dos últimos dias, em que está muito mais difícil dormir e, para ele, por sua condição médica, até respirar.
Para as pessoas em situação de rua, permanecer na sombra é crucial: "Quando você está do lado de fora assim, sofre um pouco mais. Na verdade, você não tem muita opção", explicou à AFP Damien, que vive nas ruas de Bordeaux, no sudoeste da França.
Na capital da Espanha, a Prefeitura de Madri oferece um "abrigo climático" para pessoas em situação de rua e vulneráveis, funcionando nas horas de mais calor e que fornece água, alimentos e instalações de higiene.
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R.Zarlengo--PV