Pallade Veneta - Venezuela antecipa aprovação de histórica lei de anistia

Venezuela antecipa aprovação de histórica lei de anistia


Venezuela antecipa aprovação de histórica lei de anistia
Venezuela antecipa aprovação de histórica lei de anistia / foto: Federico PARRA - AFP

O Parlamento da Venezuela inicia, nesta quinta-feira (12), o debate final para a aprovação de uma lei de anistia geral sobre os 27 anos do chavismo e que pode libertar presos políticos em massa.

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A anistia é um projeto impulsionado pela presidente Delcy Rodríguez, que assumiu o poder de forma interina após a captura de Nicolás Maduro em uma incursão militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro.

Ela governa sob pressão de Washington e de Donald Trump, a quem cedeu o controle do petróleo. Anunciou poucos dias depois um processo de libertações, que concedeu liberdade condicional a mais de 400 presos políticos.

Especialistas estimam que a anistia levará à saída de mais prisioneiros sem condições.

A secretaria da Assembleia Nacional informou que o único ponto da ordem do dia será a discussão do projeto de Lei de Anistia para a Convivência Democrática.

O debate coincide com o Dia da Juventude na Venezuela, em que tradicionalmente são convocadas manifestações.

Estudantes da Universidade Central da Venezuela, a maior do país e crítica do chavismo, convocaram uma concentração no campus, enquanto o partido do governo anunciou uma “grande marcha” em Caracas.

- "Merecemos paz" -

Os deputados votaram na semana passada a favor da lei no primeiro dos dois debates.

O segundo estava previsto para terça-feira, mas a sessão foi suspensa em meio à consulta pública pela qual passam as leis. Participaram juristas, líderes da oposição e familiares de presos políticos.

O procurador-geral Tarek William Saab também atendeu ao chamado junto a outros membros do Poder Judiciário. "Merecemos paz, que tudo seja debatido por meio do diálogo", disse Saab em entrevista à AFP. Para ele, a anistia deve levar, consequentemente, a um gesto dos Estados Unidos de libertar o deposto Maduro e sua esposa, presos em Nova York.

Rodríguez ordenou também o fechamento da temida prisão do Helicoide, apontada pela oposição e por ativistas de direitos humanos como centro de tortura.

Seu irmão Jorge Rodríguez, que preside o Parlamento, antecipou na semana passada que a aprovação da lei levará à libertação de todos os presos políticos. "Sendo aprovada a lei, no mesmo dia saem todos", prometeu nos arredores de um dos centros de detenção da Polícia Nacional em Caracas, conhecido como Zona 7.

- "Medo, todos temos" -

Em meio aos debates, o líder opositor Juan Pablo Guanipa saiu da prisão dentro do processo de libertações. Menos de 12 horas depois, foi novamente detido e enviado a Maracaibo (oeste) para cumprir prisão domiciliar.

Autoridades o acusaram de violar sua liberdade condicional após pedir eleições durante uma visita a Helicoide, onde participou de uma manifestação com familiares de presos políticos.

Guanipa é um aliado próximo da ganhadora do Nobel da Paz e líder opositora, María Corina Machado, que esteve na clandestinidade por mais de um ano antes de fugir do país para viajar a Oslo e receber o prêmio.

“Medo, todos temos, mas precisamos continuar lutando para que possamos falar e possamos viver em paz”, declarou o filho de Guanipa a jornalistas na porta de sua casa em Maracaibo.

A.Rispoli--PV