Pallade Veneta - Bombardeio russo contra dois ônibus deixa 30 mortos na Ucrânia

Bombardeio russo contra dois ônibus deixa 30 mortos na Ucrânia


Bombardeio russo contra dois ônibus deixa 30 mortos na Ucrânia
Bombardeio russo contra dois ônibus deixa 30 mortos na Ucrânia / foto: Handout - Donetsk Region Prosecutor's Office/AFP

Trinta pessoas morreram nesta quinta-feira (8) quando dois ônibus foram atingidos por um bombardeio russo na cidade ucraniana de Kramatorsk, em um dos ataques mais letais das últimas semanas, segundo autoridades ucranianas. O presidente Volodymyr Zelensky prometeu uma resposta.

Alterar tamanho do texto:

Imagens divulgadas por autoridades locais mostram os veículos carbonizados, além de corpos e escombros espalhados pela rua. "A Rússia tenta destruir toda a vida no Donbass, e o mundo deve responder a isso", publicou Zelensky no aplicativo Telegram, onde indicou que o número de vítimas pode aumentar.

Segundo a polícia, os ônibus foram atingidos por uma bomba planadora. Além disso, outras três pessoas morreram em bombardeios em uma localidade próxima, informaram os serviços de emergência.

"A magnitude e o modo desses ataques são reprováveis", declarou o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk.

Representantes de Kiev vão se reunir amanhã, na cidade americana de Miami, com enviados do presidente americano, para discutir "novas ideias" que resultem no fim da guerra contra a Rússia, informaram à AFP fontes de Washington.

Steve Witkoff e Jared Kushner "vão analisar novas ideias e propostas que os negociadores americanos começaram a elaborar com os russos e ucranianos durante sua visita recente à região", informou à AFP uma fonte com conhecimento das conversas.

UE, Otan e Reino Unido foram convidados para as negociações, segundo essas fontes.

O ataque de hoje ocorreu um dia depois de um míssil russo destruir um prédio residencial de cinco andares em Priluki, na região de Chernihiv, deixando 22 mortos, entre eles cinco crianças.

"Os russos estão atacando civis deliberadamente", denunciou o governador da região de Donetsk, no leste do país, Vadim Filashkin, que acusou Moscou de violar "todas as regras de guerra e normas do direito internacional humanitário".

"Mais uma vez, os russos atacaram uma localidade onde não há absolutamente nenhum alvo militar", declarou o Conselho de Kramatorsk.

Esta cidade, que tinha 150 mil habitantes antes da guerra, é uma das importantes localidades que a Rússia não capturou em Donetsk, região que Moscou considera parte de seu território.

- Modo 'sobrevivência' -

A situação de segurança também se agravou na capital Kiev, que tem sofrido ataques cada vez mais intensos, incluindo bombardeios com mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones a jato.

O prefeito da capital, Vitali Klitschko, informou que, apenas nesta quinta-feira, três pessoas morreram e outras 14 ficaram feridas.

Durante uma entrevista à AFP, Klitschko comentou que os bombardeios russos fizeram com que a capital entrasse em modo "sobrevivência" diante da queda das temperaturas, em uma cidade onde milhões de pessoas ficaram sem calefação no inverno passado devido aos ataques de Moscou.

A ofensiva russa dos últimos dias provocou cortes de água e energia na capital. Alguns estabelecimentos comerciais recorrem a geradores. O metrô de Kiev suspendeu hoje a circulação, devido aos problemas na rede elétrica.

"Cada dia traz novas informações sobre edifícios destruídos, pessoas feridas ou tragicamente assassinadas. Os bombardeios contra nossa cidade se intensificam", lamentou Klitschko.

- 'Google russo' atacado -

Em paralelo, a Ucrânia aumentou os ataques em território russo, onde costuma visar refinarias e depósitos de petróleo, além de armazéns comerciais. Também ataca navios no Mar Negro.

 

Apelidada de "Google russo", a Yandex é o principal mecanismo de buscas on-line em russo e é muito utilizada para serviços como táxis e mensagens.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, alertou que Rússia e Ucrânia estão em um impasse, o que poderia levar uma ou ambas as partes a intensificar os combates para romper a estagnação.

Segundo ele, este bloqueio pode resultar em "uma solução negociada, na qual cada lado deve abrir mão de algo para alcançar a paz" ou em "uma escalada" que "poderia acabar se transformando em uma campanha de sabotagem em países vizinhos que são membros da Otan".

O.Pileggi--PV