Pallade Veneta - Houthis do Iêmen reivindicam múltiplos ataques contra o aeroporto de Riade

Houthis do Iêmen reivindicam múltiplos ataques contra o aeroporto de Riade


Houthis do Iêmen reivindicam múltiplos ataques contra o aeroporto de Riade
Houthis do Iêmen reivindicam múltiplos ataques contra o aeroporto de Riade / foto: - - AFP

Os combatentes houthis do Iêmen reivindicaram neste domingo (11) a realização de "operações de grande envergadura" contra aeroportos e infraestruturas energéticas da Arábia Saudita, ataques que deixaram mais de 20 mortos ao longo do fim de semana.

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A intensidade dos recentes ataques contra Riade é inédita desde que o reino passou a apoiar, em 2015, as forças governamentais do Iêmen, que haviam entrado em guerra um ano antes contra os houthis alinhados ao Irã.

Os combatentes afirmaram neste domingo ter lançado "quatro operações de grande envergadura nas últimas 24 horas, utilizando mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones". O principal alvo foi o aeroporto internacional de Riade, atingido "em três fases" desde a noite de sexta.

No sábado, um ataque causou 13 mortes e deixou 309 feridos, segundo um balanço provisório. Também provocou a suspensão dos voos por tempo indeterminado, de acordo com uma fonte do setor aéreo.

Um novo ataque no domingo contra o aeroporto de Riade deixou pelo menos um morto, um cidadão paquistanês, e 11 feridos, segundo a Autoridade Saudita de Aviação Civil.

O porta-voz da coalizão internacional liderada pela Arábia Saudita, general Turki Al Malki, informou neste domingo que um “míssil de cruzeiro foi interceptado nas proximidades do aeroporto” de Riade e "um drone foi interceptado e destruído na região oriental" da Arábia Saudita.

- Onda de ataques -

A autoridade de aviação civil saudita também relatou um ataque contra o aeroporto de Dammam, na costa leste da península, que também havia sido atingido na véspera.

Anteriormente, os houthis haviam voltado a alertar passageiros, funcionários e companhias aéreas para que não utilizassem o espaço aéreo saudita nem os aeroportos do país, com exceção dos das cidades sagradas de Meca e Medina.

Esses ataques se somam a outros realizados na quarta e na quinta-feira, também contra o aeroporto de Riade, que deixaram seis mortos.

O ataque de sábado foi o mais letal no reino desde agosto de 2015, quando um atentado suicida do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) deixou 15 mortos.

Um morador da cidade de 32 anos, que pediu anonimato, contou à AFP que, no momento do ataque, ouviu “um estrondo muito forte” no aeroporto e que as pessoas “começaram a correr”.

“Alguns estavam com o rosto coberto de sangue”, enquanto outros “haviam perdido uma mão ou um braço” ou corriam “carregando feridos, cobertos de sangue”, relatou.

As condenações internacionais se multiplicaram, partindo da ONU, de Israel, da Rússia, da União Europeia, do Iraque e do Paquistão, entre outros.

“É inaceitável”, declarou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acrescentando que examinará a possibilidade de as forças americanas participarem das operações militares contra os houthis.

- Importância estratégica -

As autoridades decidiram manter o aeroporto fechado neste domingo, confirmaram à AFP duas fontes do setor aéreo.

Diversas embaixadas estrangeiras recomendaram a seus funcionários evitar o aeroporto durante uma semana, afirmou um diplomata ocidental à AFP.

O reino se prepara para sediar neste mês vários eventos, entre eles a conferência anual de investimentos, que atrai líderes estrangeiros e importantes empresários.

Diversas empresas do centro financeiro de Riade adotaram o regime de teletrabalho neste domingo, segundo funcionários, e as escolas da capital darão aulas a distância durante uma semana.

Os ataques contra o aeroporto não são por acaso, avalia Andreas Krieg, da consultoria de riscos MENA Analytica.

Essa infraestrutura “tem enorme importância” para o projeto do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman de transformar Riade em um centro para turistas, multinacionais e eventos internacionais. “Os houthis entendem isso”, disse Krieg.

- Bombardeios em Sanaa -

No Iêmen, as hostilidades continuam após a ofensiva relâmpago lançada em setembro pelos houthis, que assumiram o controle do estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho.

Nesta semana, as forças governamentais iniciaram uma contraofensiva com apoio de Riade. Os houthis informaram neste domingo que dois bombardeios sauditas atingiram uma área da capital, Sanaa, controlada pelo grupo pró-Irã.

Fontes militares ligadas ao governo disseram à AFP no sábado que as forças iemenitas avançaram nas proximidades do estreito, embora um alto dirigente houthi tenha afirmado que o grupo continua controlando a ilha de Perim, no centro dessas águas.

A rota marítima, que conecta a Ásia à Europa, ganhou ainda mais importância desde que Teerã passou a restringir a navegação no Estreito de Ormuz, do outro lado da península arábica.

H.Lagomarsino--PV